domingo, 25 de outubro de 2015

as dores do parto


 
Completando-se hoje 41 anos sobre o nascimento da minha primeira filha (já? Parece que foi ontem…) lembrei-me de que nesse mesmo dia recebi uma ajuda inesperada, improvável, de alguém que eu não conhecia – e que nunca mais voltei a ver. É-me impossível  agradecer a essa pessoa como ela merece. Quem me dera poder agradecer-lhe como ela merece.

Na localidade onde eu então vivia,  que eu tenha sabido não se ministravam cursos de preparação para o parto, nem grande empenho me pareceu existir em libertar a mulher da dura profecia bíblica, segundo a qual ela terá os seus filhos na dor – o parto era considerado um momento difícil, para o qual se deveria estar preparada mais com uma boa saúde do que de alguma outra maneira, nomeadamente evitando comer muitos doces…mas que de um modo geral passado o mau bocado tudo acabava bem, mais rasgão menos rasgão, que na época também a episiotomia não era prática vulgar como depois veio a ser. Informei-me acerca de uma boa médica obstetra que me seguisse regularmente, e tratei de “descobrir a pólvora” do parto sem dor, mandando vir  todos os livros que os catálogos das editoras - catálogos físicos, que isto passa-se em tempos em que não havia internet - apresentavam com esse ou semelhantes títulos: o parto sem dor, preparação para o parto, parto sem medo, ser mãe hoje, vai nascer o meu filho, etc. etc.

Na posse de uma boa meia dúzia de bons livros, tratei de os ler de fio a pavio, e não só de os ler, como de praticar todos os exercícios sugeridos, de relaxamento, de preparação dos músculos abdominais e pélvicos, respiratórios, e mais uns alguns que fui acrescentando por minha conta. E como convinha também preparar a psique, interiorizei do mesmo modo que sendo talvez impossível neutralizar por completo a dor, a não ser obviamente com aplicação de anestesia (que naqueles tempos me pareceu reservada, porém, aos casos de cesariana) a expressão “parto sem medo” era a mais correcta, devendo substituir a que já se usava muito, embora não se praticasse propriamente por ali, de “parto sem dor.” Parecia perfeitamente aceitável  e lógico que o pânico, a instalar-se, rapidamente se transformaria no pior inimigo de uma parturiente que se pretendia senhora da situação, e que esta não deveria permitir-se oferecer resistência às contracções (expressão que todos aqueles sábios autores  pareciam preferir à de “dores”) resistência que  muito dificultaria o normal decorrer do trabalho de parto.

No dia anterior ao do nascimento , assim, com os primeiros sinais do parto iminente, fui pondo em prática todos aqueles meus conhecimentos teóricos: relaxar, não entrar em pânico, não oferecer resistência à dor, respirar de modo controlado, e assim por diante. Tudo parecia estar a correr bem. Mas ainda a procissão ia no adro, pressentia, e pelo sim pelo não fui jurando a mim mesma que ainda que me parecesse estar a ser esquartejada por quatro cavalos à boa moda dos suplícios antigos, da minha boca não sairia nem grito nem gemido.

E de facto assim foi. A imagem dos cavalos, a puxarem cada um para seu lado, acabou por se revelar apropriada. Com a chegada ao hospital, já no dia seguinte, e provavelmente com aplicação da injecção de oxitocina pela impaciente parteira que não deixou entrar o pai na sala de partos e resmungou o tempo todo (onde é que já se viu, um pai assistir ao parto? Estes modernismos! Isto vai de mal a pior…) a verdade é que as dores, e agora não passaria de um eufemismo chamar-lhes contracções, ou se o eram - e eram! também eram fortemente dolorosas, apertaram de má maneira e tive de recorrer a todo o meu auto domínio para não entrar em pânico, continuar a respirar de forma controlada e a relaxar a musculatura, e a todo o meu orgulho para não gritar nem  gemer. A minha médica, que eu pedi fosse chamada para grande escândalo da parteira (o quê! A sua médica? Para quê? Então eu não sou enfermeira, e parteira, e diplomada, e por aí fora) não se conseguia localizar.

O parto de uma primípara é normalmente mais difícil do que o da multípara, por óbvias razões fisiológicas e pelo menos uma razão psicológica: é que uma multípara já sabe como as coisas são. Na verdade eu só queria a médica para ela me dizer que o parto era assim mesmo, afastando os terríveis pensamentos que me cruzavam a mente:  Meu Deus! Vou morrer. Certamente tenho alguma doença que nunca foi revelada mas que agora aparece. É impossível que seja normal este sofrimento tão extremo. “Terás os teus filhos na dor”. Tá bem, que assim seja, mas isto não é dor, é um exagero. Não entrar em pânico, respirar, relaxar. Onde andará a médica. E ela que me disse que estava sempre disponível.

Havia alguma razão para a boa da parteira (mais tarde, reflectindo em toda a sua acção, considerei-a boa profissional, de facto, embora uma resmungona de primeira) não deixar entrar um pai na sala de partos, pois além de não ser costume na altura, e ela não parecer muito do género de abrir precedentes, a dita estava a ser usada ao mesmo tempo por várias parturientes. Na cama ao lado da minha, separadas que estavam por um reposteiro que mão apressada desviou,  eu  vi uma mulher africana, um tanto mais velha do que eu, também a ter o seu  filho. Por alguma razão me pareceu que não seria o primeiro, talvez pela idade, andaria pelos trinta e muitos, talvez mais. É possível que já soubesse que não se morre num parto normal. Também não gritava nem gemia, e talvez tenha visto a angústia a sair-me pelos olhos, no momento em que o seu olhar encontrou o meu;  abriu os grossos lábios num sorriso e estendeu-me a mão. As nossas camas não chegavam a estar separadas por um metro, estendi a mão também e apertei a sua. Durante algum tempo sorrimos uma para a outra e démo-nos as mãos. Os nossos filhos nasceram daí a alguns minutos…mas antes disso alguém, talvez a impaciente enfermeira, já tinha fechado o reposteiro.

Nunca soube sequer o nome dela.  Ainda indaguei “quem era a senhora que tinha estado ao meu lado na sala de partos no dia 24” mas ninguém soube ou pôde elucidar-me. Vim-me embora feliz da vida (também é bíblico que depressa se esquecem as dores do parto depois do nascimento da criança…) com a minha menina,  contente também por nem sequer ter rasgado o períneo – o que logo atribuí à minha cuidada preparação, mas que em boa justiça também se deverá atribuir às mãos eficientes da parteira resmungona – e ufana por ter cumprido a minha promessa de “nem gritar nem gemer”.

Quem me dera poder agradecer-lhe como ela merece. Mas como não posso dedico-lhe Mulowa (mãe de gémeos), mais a formidável descrição que nela faz Raul Indipwo do momento do parto. Porque ela foi a tribo que me ajudou a ter uma filha, naquele dia já distante…a tribo onde é indiferente ser branco ou ser preto, bastando ser gente, e precisar de compaixão.

24/Out./2015


 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Os "valores " da festa brava...

...e um Fórum que foi declarado de reconhecido interesse público


                                    In his biological writings, Aristotle (384–322 bc) repeatedly suggested that animals lived for their own sake, but his claim in the Politics that nature made all animals for the sake of humans was unfortunately destined to become his most influential statement on the subject. (Encyclopaedia Britannica, Animal rights)

 Em 1952 escrevia meu Pai, na introdução de pequeno livrinho que então publicou, o seguinte: “Há na Sagrada Escritura dois provérbios característicos pela sua aparente contradição. Um diz: não respondas ao louco segundo a sua loucura, para não vires a ser semelhante a ele. O outro aconselha: responde ao louco segundo a sua loucura, para que ele não imagine que é sábio." Perante a nota de reportagem “Festa brava oferece “escola de vida” – presente no Diário Insular, na sua edição de 28/Jan. do ano corrente, onde se apresentam algumas conclusões do III Fórum Mundial da Cultura Taurina, durante algum tempo, vacilando entre os dois conselhos, hesitei em “responder”, isto é, em pronunciar-me sobre o assunto…mas tal como em tempos decidiu meu Pai, decidi-me hoje pela resposta.
As referidas conclusões, que foram lidas por um conhecido autor de obras sobre a “corrida” e defensor da cultura tauromáquica, o filósofo e professor Francis Wolff, apontam constantemente para os “valores” ligados à tauromaquia, não os identificando ou concretizando porém (e por que não? Pensar-se-á, acaso, que todos os “valores” são desejáveis e moralmente defensáveis?) enquanto parecem reflectir o sentimento dos participantes, que será de perseguição perpetrada pelos ferozes anti-taurinos - que surgem em toda a nota como os maus da fita.
Anti taurina ou, mais bem dizendo, anti-tauromaquia como me assumo, e isto desde que aos seis ou sete anos de idade assisti a uma tourada à corda e acto contínuo me coloquei, mentalmente, ao lado do animal desnorteado e confuso - que claramente vi como o mais fraco - jamais persegui, insultei ou injuriei quem quer que fosse por pensar de modo diverso daquele que reconheço como o meu, muito embora possa, evidentemente, lamentar que se torne ainda necessário a alguns, no momento evolutivo em que a espécie se encontra, demonstrar em praça pública que são mais espertos do que um touro – o que é forçosamente sempre verdade, mesmo para o mais bronco exemplar de homo sapiens sapiens que possamos imaginar. Porque dos valores da cultura taurina, tantas vezes referidos, nomeadamente nestas conclusões, mas raramente identificados pelos seus defensores, imagino eu que o principal será a modalidade de coragem que leva um humano de físico comparativamente insignificante a se colocar perante um bicho irracional, mas dotado de poderosos músculos - coragem essa que não me parece lá muito superior, porém, à de algum desocupado que finte uma locomotiva que não consegue, por si mesma, sair dos carris onde foi colocada. Claro que pode acontecer um acidente, uma escorregadela, um tropeção, e num acaso, ser colhido o homem, que nesta insensatez perde a sua irrepetível vida, na tentativa de demonstrar mais uma vez o que toda a gente já sabe. Mas, em princípio, é sabido que o touro procurará a capa que esvoaça, tal como é sabido que a locomotiva não sairá dos carris – e com um bocado de sorte ninguém tropeçará.
Bastante maior coragem revela, quanto a mim, o boxeur que enfrenta um seu semelhante em força física, habilidade e inteligência, muito embora o fomento do pugilismo também não esteja nos meus planos culturais para a terra onde nasci.
Aprecio a coragem e a destreza físicas, mas mais defendo a promoção de um outro tipo da mesma, que passe muito menos pelos músculos e muito mais pela força de carácter, que tenha pouco de esperteza saloia e muito de honesto aprumo, que encare o mais fraco como destinatário dos cuidados e da sabedoria do mais forte – e nunca como objecto de diversão ou de libertação de instintos sádicos, de que é alvo fácil. No confronto homem-touro, este é o mais fraco, e não ao contrário – assim o vi naquela tourada à corda de há muitos anos, assim o vejo hoje.
Como se pode afirmar que, e transcrevo: “Contra o doutrinamento do politicamente correcto a tauromaquia tem-se como uma experiência de beleza, paixão, inteligência, que deveria ganhar espaço como modelo de comportamento, para uma sociedade que vai perdendo as suas referências essenciais” no contexto de um evento que foi, se a memória me não falha, subsidiado por dinheiros públicos - que são administrados e atribuídos por políticos - em pelo menos 60000 euros? Por outro lado, serão porventura, para os participantes deste Fórum, referências essenciais da nossa sociedade o conseguirmos divertimento (e proventos económicos, talvez um outro dos valores que não são explicitados) à custa do sofrimento e da confusão de animais irracionais? Se assim for, pois é bom que se percam; eu advogo, e outros como eu advogarão, o surgimento de uma sociedade em que as referências passem pela compaixão, que não pelo sadismo; pela elevação artística, que não pelo divertimento boçal; pela sabedoria, numa palavra, que nos levará a compreender o nosso lugar no planeta como guardiães atentos, que não como usuários aproveitadores, desinteressados do dia de amanhã que de qualquer modo não nos atingirá - e já agora aí vai outra expressão que está muito em moda, como está esta dos “valores” - dado que uma das minhas referências para a sociedade que almejo é, precisamente, o desenvolvimento… sustentável.
Muitas vezes tenho constatado com tristeza que, neste meio onde vivemos, parece não ser necessário compreendermos a fundo o significado das palavras para as repetirmos de modo considerado oportuno.
Mas voltando à questão, todos estamos no mesmo barco, homens, touros e árvores; mas só uma das espécies viventes apresenta o apodo duplo de sapiens, que, muito embora se trate de uma auto-denominação, deveria implicar forte responsabilização do mais sábio, logo mais forte, pelos mais fracos.
É verdade que os participantes do Fórum em questão, mai-lo seu porta voz e aficionados em geral, têm em pleno a liberdade de não concordar com a minha postura, nestas linhas expressa, de apreciar uma actividade que outros reputam atávica, desprovida de dignidade e cruel, e até de a praticar, pelo menos enquanto as leis do nosso país o permitirem. Não podem é supor que acreditamos que o rei traz vestido um esplêndido fato quando afinal vem o mais nu que é possível, e isto por muito filósofo (e especialista em Aristóteles), que seja o porta voz das conclusões… Aristóteles, que aliás e por não dizer sempre a mesma coisa, acabou por ficar com as famas de entender a existência dos animais para exclusivo proveito dos seres humanos - quando afinal, se o disse, também disse o contrário. Mas que trapalhão.
E, para terminar, que me seja permitido dizer que a bela ilha Terceira, tão cheia de (outras) tradições interessantes e de grande importância em termos culturais (e bastará lembrar aqui o seu valiosíssimo corpo folclórico musical, que me é tão próximo e não cesso de admirar) não precisa de nada disto para se confirmar como um destino turístico de primeira água, que manifestações desta natureza só poderão, infelizmente, deslustrar.
Respondi! e disse.
2/02/2014


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

24/Novembro/1949

Há exactamente 64 anos, António e Maria da Glória receberam a sua única menina.

O tempo estava mau, e nesse dia os salpicos salgados das vagas chegavam aos vidros das janelas, nas casas na Calheta onde hoje o mar já não bate - não bate, pois foi empurrado para longe como um vizinho indesejável.

António e Maria da Glória receberam encantados a sua menina. Casados já há quatro anos, quase cinco, depois de muitas novenas rezadas e algumas visitas ao médico já pensavam que nunca seriam abençoados com descendência; ficaram, assim, todos contentes com a dádiva recebida!

Que posso dizer, eu que sou essa menina agora com 64 anos, àqueles que tudo me deram, por mim tudo fizeram, e incondicionalmente me amaram até ao fim - mesmo nos momentos em que não foi fácil amar-me?


 Obrigada! Obrigada por tudo, meus pais. Eu bem que queria dizer mais, mas não conheço as palavras. Acho que em português só existe mesmo esta, que por vezes parece tão fraca: obrigada.

Fiquem bem.
Também vos amo muito.
Até um dia destes!!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ómega ou omega?


Ómega, ou Omega?

Há algum tempo comprei, num determinado estabelecimento  comercial,  um relógio de pulso. Tentando explicar ao vendedor o tipo de objecto que me interessava, fui dizendo que de facto não pretendia um relógio Omega (sinónimo de grande qualidade  e preço elevado) mas apenas algo que fosse funcional, modesto e de preço módico. De modo muito cortês, usando um tom de voz baixo e suave  - decerto no receio de algum melindre - o jovem corrigiu-me: Ómega, minha senhora.

Como além de ser provavelmente a única professora de Física e Química viva que pronuncia nanometro ao invés de nanómetro (e não chego ao extremo de dizer “quilometro” porque ninguém me entenderia, evidentemente, isto muito embora todos entendam quilograma e não digam quilógrama) também devo ser das poucas pessoas, ao menos nos círculos onde me movimento, que pronuncia omega e não ómega.

Não aprendi grego, disciplina que no meu tempo já não se considerava como fazendo parte das aprendizagens essenciais que todo o aluno português deveria realizar, nem sequer latim, ambas as línguas fazendo bastante faltinha a um bom domínio do próprio e materno idioma - mas cheguei mais ou menos por conta própria, e por ter tido um pai que muitas e muitas vezes me mandou ir procurar assuntos  às gramáticas e dicionários em vez de me dar papinhas feitas, a conhecer o alfabeto grego, bem como algumas palavras e estruturas frásicas simples. E foi assim que aprendi que no dito alfabeto existem dois "os": um "o" breve, de curta duração pois, chamado òmicrón  (O, o), e um outro "o", longo, o omega (Ω, ω), cujo nome tem o significado exacto de “o” grande, no sentido temporal.  Megalito (que alguns também pronunciarão megálito) e megalómano,  e o tão conhecido megabyte que nem português é mas se percebe perfeitamente, apresentam o mesmo mega, como prefixo, sempre  com o  significado de “grande”.

Lá vim para casa, de relógio novo no pulso e alguma mágoa no coração, não por ter sido corrigida pelo vendedor nem sequer por não trazer comigo um belo relógio Omega em vez de uma cebolita que me custou vinte euros,  mas sobretudo por não compreender como é que se instalam estes desacertos, e de tal maneira que enquanto estou a escrever estas linhas o próprio word já me alterou a acentuação gráfica várias vezes, no òmicrón retirando-a, e no omega colocando o negregado acento agudo no “o”, que não pretendo pôr, mas ele entende que deveria.

Lá dei a voltinha às gramáticas de grego, às velhas gramáticas de meu pai, onde confirmei o atrás exposto, e também as dei na internet, onde a maior parte dos sites reza pela mesma cartilha do funcionário da relojoaria, sendo brasileiros grafando até “ômega”,  e somente num encontrei tratar-se de palavra paroxítona,  omega pois, tal como aprendi.

Vem algum mal ao mundo de se dizer ómega, megálito, leucémia, glicémia e mais umas pérolas assim? Sim, vem, pois revela a superficialidade do nosso ensino.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O vitelinho e sua mãe

Talvez eu própria viva num mundo onde reina uma certa ilusão e fantasia, o mundo onde se pensa "que as alfaces nascem nas prateleiras dos supermercados", como respondeu uma criança citadina a quem se perguntou onde nasciam as ditas. Decerto por nunca ter vivido (e meus pais também não, muito embora meus avós sim) ligada directamente à agricultura ou pecuária como vivem muitos dos açorianos, certos aspectos chocam-me como bofetadas ao ser forçada a sair de um certo romantismo que muitas vezes quem está de fora associa à vida do campo, e encarar a realidade de um modus vivendi que não deixa de ter, convenhamos, aspectos menos simpáticos. Este de manter a produção de leite à custa do nascimento de vitelos excedentários, destinados à partida a um abate sem sentido, é certamente um deles, e faz-me pensar se, e por uma razão agora já não meramente nutricional, não seria boa ideia deixarmos de ser o único mamífero que, mesmo adulto, continua a procurar proteínas fáceis e cálcio fácil  no leite de uma outra "mãe".
http://ww1.rtp.pt/acores/index.php?article=7048&visual=3&layout=10&tm=5

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A morte e o caminho dourado

De uma das janelas da casa de meu avô materno pode observar-se exactamente este panorama (esta foto não foi, mas poderia ter sido obtida dessa mesma janela). Até aos meus dezasseis anos, em quase todas as férias de verão visitei a ilha, para as passar nessa casa, no delicioso convívio com tios, tias, primos e primas, e com meu querido avô, que com o passar dos anos ia ficando, obviamente, cada vez mais velhinho - o que me fazia suar frio com medo de um dia o perder definitivamente. Em 1961 um dos meus tios partiu pelo "caminho dourado" (embora já de avião) da emigração, levando consigo seis dos meus primos, o que não deixa de ser uma outra espécie de morte, por vezes quase tão definitiva como a morte física...
Meu avô faleceu, efectivamente, em 1970, quando eu mesma me encontrava do outro lado do mundo; meus primos, esses...mais de cinquenta anos já passados...sei que estão bem, mas nunca mais os vi.
(Foto de Frederic Fournier)

domingo, 18 de agosto de 2013

Abel?

Que terá sucedido aos outros neandertais, ou seja aqueles que não se conseguiram misturar com os sapiens??? Talvez nunca se venha a saber ao certo. Mas para quem observar o comportamento destes últimos (sapiens) ainda nos dias de hoje, tantas vezes marcado pela intolerância e pela falta de compaixão, genocídio é uma palavra possível...
Será este o verdadeiro rosto de Abel, assassinado pelo seu irmão Caim??